/// Lá vem Ela
Lá vem Ela,
Lá vem Ela,
Cheia de gingado e ritmo,
Levantando tudo que é solto.
Direita, esquerda: levou um.
Esquerda, direita: levou mais dois.
Gentes e juras
Afetos e planos
Uns bem firmes,
Outros passados da poda.
Em tempo de Mortes,
A gente bota um café
Pra passar, e senta, pra observar
Seus movimentos.
_________________________________________
16/jul/2020 - São Paulo - 15h17
16.7.20
Leoa na Toca
/// Leoa na Toca
Da sua companhia,
Eu não era da trupe - apenas plateia.
Ainda que presente,
Ainda que pactuada.
Mas atrás das cortinas,
Embaixo deste tapete,
Havia muita avidez e fome e olhos.
A cada noite,
Observando suas derrapadas,
Seus truques de cena.
E guardando na manga
Pr'aquela que seria a maior obra:
O Meu Levante.
_________________________________________
16/jul/2020 - São Paulo - 19h27
Da sua companhia,
Eu não era da trupe - apenas plateia.
Ainda que presente,
Ainda que pactuada.
Mas atrás das cortinas,
Embaixo deste tapete,
Havia muita avidez e fome e olhos.
A cada noite,
Observando suas derrapadas,
Seus truques de cena.
E guardando na manga
Pr'aquela que seria a maior obra:
O Meu Levante.
_________________________________________
16/jul/2020 - São Paulo - 19h27
8.4.20
Força Bruta Fluída
/// Força Bruta Fluída
Quando em períodos de repressão,
Sob cortinas, substâncias e mantras;
Quando raiva e indignação,
Por anos mascaradas de indiferença;
Quando uma brecha encontra,
Toda água corre solta,
Feito rio a inundar.
Desagua pelas portas,
Pelos muros,
Pelos nãos,
Pelos poréns - tudo aquilo que interrompe.
Só eu conheço essa Força Bruta Fluída.
E por sorte, seguros estão
Enquanto mantenho portas,
Muros, nãos e poréns contidos.
_________________________
07/abr/2020 - São Paulo - 23h57
Quando em períodos de repressão,
Sob cortinas, substâncias e mantras;
Quando raiva e indignação,
Por anos mascaradas de indiferença;
Quando uma brecha encontra,
Toda água corre solta,
Feito rio a inundar.
Desagua pelas portas,
Pelos muros,
Pelos nãos,
Pelos poréns - tudo aquilo que interrompe.
Só eu conheço essa Força Bruta Fluída.
E por sorte, seguros estão
Enquanto mantenho portas,
Muros, nãos e poréns contidos.
_________________________
07/abr/2020 - São Paulo - 23h57
21.11.19
Caraminholas existenciais
/// Caraminholas Existenciais
Um peso nos meus dedos... toneladas na mente... coração ressecado...
- Me ponho ao exercício desgastante & engrenante do expor. -
Por muito tempo, acreditei que os antídotos contra as mazelas eram encontrar o Amor em alguém - amar e ser amado. Eu o encontrei, umas quantas vezes. E quando o encontrei, encontrei também a dor.
Se fui encontrada, não tenho certeza.
Desconfio que eu seja vítima de um hábito; uma forma que aprendi de amar e querer.
Outras vezes, acredito que seja fatal, como um despacho da Fortuna.
•
- Sei lá, há tanto para dizer e tão poucos para ouvir... -
Tenho memória grande, tipo baú. Dizem que isso é ruim, mas só sei ser assim.
Eu busco e sonho com as mudanças; com mudanças bruscas do meu Eu.
E, todas as vezes que enxergo o/um Caminho, ele é sempre frio e distante.
Ele é sempre o oposto do que fui. E isso por si só, antinatural.
Me falam sobre as medidas temperadas, sobre os níveis.
Conhecer "O Equilíbrio" é uma exigência protocolar dessa época.
Tecem, finitamente, sobre uma alquimia do ser.
Veja: os alquimistas foram ultrapassados, pois a evolução é imparável.
O mundo é imparável. E, diante dele, eu sou pequena.
Tantos desejos pra tão curto tempo e aberturas...
Em mim, habita uma megalomania que reprimo, e que reprimem.
Reprimem, e reprimo.
É inexorável a dança involuntária do tempo, carne-matéria e mente.
Que injusto: todos esses desejos, toda essa mente, condicionados à uma eterna manutenção da matéria.
•
- Tanto para dizer... -
Em tantos milênios, ocidentais, orientais e acidentais
Tudo já foi dito, e ainda assim,
Não termina a vontade em dizer.
•
Sou um ser repartido, um ser fragmentado.
Poucas regras quero seguir; muitas estou cansada para quebrar.
Admiro os verborrágicos,
Mas desconfio que se existem, estão deslocados nessa época.
A tônica geral é "seja breve" -
Seja bom ou seja mau, mas seja breve.
Sou um ser amosaicado. Quebrado e semi-conectado.
Veja: em algum momento, isso seria estilo.
Hoje, seria apenas uma condição de desnível -
Mental, cognitivo, intelectual ou emocional.
É que tudo pode ser Tudo.
E esse Tudo, pode ser nada.
_________________________
21/nov/19 - São Paulo - 18h15
Um peso nos meus dedos... toneladas na mente... coração ressecado...
- Me ponho ao exercício desgastante & engrenante do expor. -
Por muito tempo, acreditei que os antídotos contra as mazelas eram encontrar o Amor em alguém - amar e ser amado. Eu o encontrei, umas quantas vezes. E quando o encontrei, encontrei também a dor.
Se fui encontrada, não tenho certeza.
Desconfio que eu seja vítima de um hábito; uma forma que aprendi de amar e querer.
Outras vezes, acredito que seja fatal, como um despacho da Fortuna.
•
- Sei lá, há tanto para dizer e tão poucos para ouvir... -
Tenho memória grande, tipo baú. Dizem que isso é ruim, mas só sei ser assim.
Eu busco e sonho com as mudanças; com mudanças bruscas do meu Eu.
E, todas as vezes que enxergo o/um Caminho, ele é sempre frio e distante.
Ele é sempre o oposto do que fui. E isso por si só, antinatural.
Me falam sobre as medidas temperadas, sobre os níveis.
Conhecer "O Equilíbrio" é uma exigência protocolar dessa época.
Tecem, finitamente, sobre uma alquimia do ser.
Veja: os alquimistas foram ultrapassados, pois a evolução é imparável.
O mundo é imparável. E, diante dele, eu sou pequena.
Tantos desejos pra tão curto tempo e aberturas...
Em mim, habita uma megalomania que reprimo, e que reprimem.
Reprimem, e reprimo.
É inexorável a dança involuntária do tempo, carne-matéria e mente.
Que injusto: todos esses desejos, toda essa mente, condicionados à uma eterna manutenção da matéria.
•
- Tanto para dizer... -
Tudo já foi dito, e ainda assim,
Não termina a vontade em dizer.
•
Sou um ser repartido, um ser fragmentado.
Poucas regras quero seguir; muitas estou cansada para quebrar.
Admiro os verborrágicos,
Mas desconfio que se existem, estão deslocados nessa época.
A tônica geral é "seja breve" -
Seja bom ou seja mau, mas seja breve.
Sou um ser amosaicado. Quebrado e semi-conectado.
Veja: em algum momento, isso seria estilo.
Hoje, seria apenas uma condição de desnível -
Mental, cognitivo, intelectual ou emocional.
É que tudo pode ser Tudo.
E esse Tudo, pode ser nada.
_________________________
21/nov/19 - São Paulo - 18h15
13.9.19
A fresta que Exu abriu.
/// A fresta que Exu abriu.
Se na sala enorme do meu ser,
Eu me vejo pelo buraco da porta,
E não há espaço entre tempos e anos,
E me vejo pequena nas partidas,
E me vejo grande nas aspirações,
Me pergunto:
Com quem está a chave desta porta?
_________________________
24/jul/19 - São Paulo - 22h57
Se na sala enorme do meu ser,
Eu me vejo pelo buraco da porta,
E não há espaço entre tempos e anos,
E me vejo pequena nas partidas,
E me vejo grande nas aspirações,
Me pergunto:
Com quem está a chave desta porta?
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24/jul/19 - São Paulo - 22h57
Parto & Nascimento
/// Parto & Nascimento
Coração moídinho,
Em caquinhos.
Gotita, Superbonder.
Escrevo um poema,
E monto um mosaico.
___________________________
18/ago/19 - São Paulo, Bom Retiro
Coração moídinho,
Em caquinhos.
Gotita, Superbonder.
Escrevo um poema,
E monto um mosaico.
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18/ago/19 - São Paulo, Bom Retiro
Saturnices: quando Cronos se entrona.
/// Saturnices: quando Cronos se entrona.
Pari um filho Sem Nome.
Esse Filho é
Uma bocarra que abocanha
E devora.
Como semente reguei.
Ô, terra fértil esse peito meu!
Se aninhou um passarinho,
E ovos deixou.
Choquei e aqueci os filhotes.
E entendi que sou pessoa,
Não pássaro.
Mas, como desamar um filho?
Como devorar o que se criou?
_____________________________
05/set/19 - São Paulo, sala de produção
Pari um filho Sem Nome.
Esse Filho é
Uma bocarra que abocanha
E devora.
Como semente reguei.
Ô, terra fértil esse peito meu!
Se aninhou um passarinho,
E ovos deixou.
Choquei e aqueci os filhotes.
E entendi que sou pessoa,
Não pássaro.
Mas, como desamar um filho?
Como devorar o que se criou?
_____________________________
05/set/19 - São Paulo, sala de produção
26.6.19
Impermanente
/// Impermanente
É fio frágil no Tempo
A cama quente,
A oração,
O riso de quem eu amo.
O cigarro que se vai,
Um perfume,
O dinheiro que vem,
O abraço de um amigo.
A esperança dentro do sonho ou
O sonho dentro da esperança.
- Formam o chão.
Fio frágil no Tempo.
É que, hoje, tenho dentes,
Hoje, vou na gira pra me acalmar,
Hoje, tenho vinho e
A voz de quem eu amo.
Mas só por hoje existe chão.
_____________________________
Impermanente
Es hilo frágil en el Tiempo
La cama cálida,
La oración,
La risa de la persona que amo.
Una mirada que se va,
Un perfume,
La plata que viene,
El abrazo de un amigo.
La esperanza dentro del sueño o
El sueño dentro de la esperanza.
- Forman el suelo.
Hilo frágil en el Tiempo.
Es que, hoy, tengo dientes,
Hoy, voy a la gira para calmarme,
Hoy, tengo vino y
La voz de quien amo.
Pero solo por hoy hay suelo.
_____________________________
25/jun/19 - São Paulo, linha azul
É fio frágil no Tempo
A cama quente,
A oração,
O riso de quem eu amo.
O cigarro que se vai,
Um perfume,
O dinheiro que vem,
O abraço de um amigo.
A esperança dentro do sonho ou
O sonho dentro da esperança.
- Formam o chão.
Fio frágil no Tempo.
É que, hoje, tenho dentes,
Hoje, vou na gira pra me acalmar,
Hoje, tenho vinho e
A voz de quem eu amo.
Mas só por hoje existe chão.
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Impermanente
Es hilo frágil en el Tiempo
La cama cálida,
La oración,
La risa de la persona que amo.
Una mirada que se va,
Un perfume,
La plata que viene,
El abrazo de un amigo.
La esperanza dentro del sueño o
El sueño dentro de la esperanza.
- Forman el suelo.
Hilo frágil en el Tiempo.
Es que, hoy, tengo dientes,
Hoy, voy a la gira para calmarme,
Hoy, tengo vino y
La voz de quien amo.
Pero solo por hoy hay suelo.
_____________________________
25/jun/19 - São Paulo, linha azul
24.6.19
A Enchente | La Crecida
/// A Enchente
Foi um mês de enchente.
Uma enxurrada lavou,
Mas também sujou.
Agora, recolho
O que a água levou.
Olho os restos,
E não consigo reconhecer nada.
Parece espera,
Parece esperança,
Parece brilho nos olhos
Diante daquele quadro intrigante que vi.
É que, outra vez, a correnteza veio forte.
Agora, para poder voltar a ver,
Vou botar no Sol.
________________________________
/// La Crecida
Fue en mes de inundación.
Una crecida que lavó,
Pero que también ensució.
Ahora, recojo
Lo que el agua se llevó.
Miro a los restos,
Y no puedo reconocer nada.
Parece espera,
Parece esperanza,
Parece brillo en los ojos
Frente a aquel cuadro intrigante que vi.
Es que, otra vez, la corriente se vino con todo.
Ahora, para poder volver a ver,
Voy a dejarlo al Sol.
24/06/2019 - Mente & Matéria: São Paulo, Brasil
Foi um mês de enchente.
Uma enxurrada lavou,
Mas também sujou.
Agora, recolho
O que a água levou.
Olho os restos,
E não consigo reconhecer nada.
Parece espera,
Parece esperança,
Parece brilho nos olhos
Diante daquele quadro intrigante que vi.
É que, outra vez, a correnteza veio forte.
Agora, para poder voltar a ver,
Vou botar no Sol.
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/// La Crecida
Fue en mes de inundación.
Una crecida que lavó,
Pero que también ensució.
Ahora, recojo
Lo que el agua se llevó.
Miro a los restos,
Y no puedo reconocer nada.
Parece espera,
Parece esperanza,
Parece brillo en los ojos
Frente a aquel cuadro intrigante que vi.
Es que, otra vez, la corriente se vino con todo.
Ahora, para poder volver a ver,
Voy a dejarlo al Sol.
24/06/2019 - Mente & Matéria: São Paulo, Brasil
4.6.19
Tiempo, pase, por favor.
/// Tiempo, pase, por favor.
Evito preguntarle al Tiempo
Qué seremos en tres, cuatro días
Qué sentiremos en el pasar de semanas y vidas.
Evito preguntarle al Tiempo
Cuánto y cómo esperar.
Calmo el temor, el temblor, la ansiedad y los desgastes internos
Con tragadas calculadas
De este pucho que me salvó
De mi partida desde Ezeiza, con gusto a hasta luego.
Evito, evito, evito
Y lo pregunto.
________________
04/jun/2019 - Mente: Buenos Aires, Argentina; Materia: São Paulo, Brasil
Evito preguntarle al Tiempo
Qué seremos en tres, cuatro días
Qué sentiremos en el pasar de semanas y vidas.
Evito preguntarle al Tiempo
Cuánto y cómo esperar.
Calmo el temor, el temblor, la ansiedad y los desgastes internos
Con tragadas calculadas
De este pucho que me salvó
De mi partida desde Ezeiza, con gusto a hasta luego.
Evito, evito, evito
Y lo pregunto.
________________
04/jun/2019 - Mente: Buenos Aires, Argentina; Materia: São Paulo, Brasil
3.4.19
Dos Poetas
/// Dos Poetas
A miséria e a desilusão já não são
Interpretações anacrônicas de poetas mortos:
Agora elas ficam para dormir.
Poetas são seres alcalinos no mundo,
Que filtram e guardam
A escuridão da humanidade.
A garantia do poeta é o
Trunfo do desprezo e da incompreensão.
Poetas são quase ácaros.
E agora sim eu sou poeta: porque
Vivo minha própria miséria, e minha própria época.
Não há tempo para sublimar em
Rimbauds, Baudelaires, e outros malditos.
________________
02/abr/2019 - São Paulo, Brasil
A miséria e a desilusão já não são
Interpretações anacrônicas de poetas mortos:
Agora elas ficam para dormir.
Poetas são seres alcalinos no mundo,
Que filtram e guardam
A escuridão da humanidade.
A garantia do poeta é o
Trunfo do desprezo e da incompreensão.
A ingratidão da posteridade,
Por um presente solitário.
Poetas habitam o fundo, debaixo do tapete.Por um presente solitário.
Poetas são quase ácaros.
E agora sim eu sou poeta: porque
Vivo minha própria miséria, e minha própria época.
Não há tempo para sublimar em
Rimbauds, Baudelaires, e outros malditos.
________________
02/abr/2019 - São Paulo, Brasil
Nós, os ratos
/// Nós, os ratos
Aluguei meu refúgio interior,
Como um repertório explorável,
Em troca de poucos trocados.
Minhas ideias sugadas,
Que eletrificam a Roda que infarta
E nos matará.
Náusea me invade.
Meus únicos esconderijos...
Minhas músicas; meus livros; meus ídolos.
E quando meu rosto dedurar minha idade?
Em qual vala serei descartada, junto das minhas ideias?
________________
02/abr/2019 - São Paulo, Brasil
Aluguei meu refúgio interior,
Como um repertório explorável,
Em troca de poucos trocados.
Minhas ideias sugadas,
Que eletrificam a Roda que infarta
E nos matará.
Náusea me invade.
Meus únicos esconderijos...
Minhas músicas; meus livros; meus ídolos.
E quando meu rosto dedurar minha idade?
Em qual vala serei descartada, junto das minhas ideias?
________________
02/abr/2019 - São Paulo, Brasil
19.3.19
Borboleta
/// Borboleta
Conflito entre fala e Liberdade.
Mordaça invisível,
Mas quase tangível.
Ânimos, Áries, Marte.
Espasmos,
Músculos.
Extremos:
Contração e descontração.
Tensão prévia à autodepreciação.
Tom de voz.
Chamado ao confronto?
Libertar o ímpeto de dizer o que se guarda.
________________
12/mar/2019 - São Paulo, Brasil
Conflito entre fala e Liberdade.
Mordaça invisível,
Mas quase tangível.
Ânimos, Áries, Marte.
Espasmos,
Músculos.
Extremos:
Contração e descontração.
Tensão prévia à autodepreciação.
Tom de voz.
Chamado ao confronto?
Libertar o ímpeto de dizer o que se guarda.
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12/mar/2019 - São Paulo, Brasil
1.3.19
Dove Rosa
/// Dove Rosa
O cheiro
Daquele Dove
Me traz de volta dias vividos
E jamais esquecidos
Porém perdidos na memória.
________________
20/fev/2019 - São Paulo, Brasil
O cheiro
Daquele Dove
Me traz de volta dias vividos
E jamais esquecidos
Porém perdidos na memória.
________________
20/fev/2019 - São Paulo, Brasil
Fala
/// Fala
Temos ossos aplastados,
Sonhos sufocados,
Bocas abafadas,
E esperanças encarceradas.
Regras e dedos nos cercam.
Eles são os donos do nosso pão.
Eles vingam a moral da fé comum:
Tiram quando querem,
Esmolam quando querem.
Então, fique sabendo que eu não tenho mais
Compromisso com fins otimistas.
Falo o que vejo:
Não suavize o que eu digo.
Cambaleando, eu prefiro
Segurar o peso das minhas ideias.
Eu tombo sim, mas sou leve
Pela liberdade que alçam as minhas palavras.
Quero minha indignação sempre viva.
________________
16/fev/2019 - São Paulo, Brasil
Temos ossos aplastados,
Sonhos sufocados,
Bocas abafadas,
E esperanças encarceradas.
Regras e dedos nos cercam.
Eles são os donos do nosso pão.
Eles vingam a moral da fé comum:
Tiram quando querem,
Esmolam quando querem.
Então, fique sabendo que eu não tenho mais
Compromisso com fins otimistas.
Falo o que vejo:
Não suavize o que eu digo.
Cambaleando, eu prefiro
Segurar o peso das minhas ideias.
Eu tombo sim, mas sou leve
Pela liberdade que alçam as minhas palavras.
Quero minha indignação sempre viva.
________________
16/fev/2019 - São Paulo, Brasil
8.1.19
Poema das Cinco Interfaces | Poema de las Cinco Interfaces
/// Poema de las Cinco Interfaces
Atravesso a Noite com Drummond.
Quando quase enlouqueci,
Um analista desses que simplificam tudo, me disse:
"Vai, Flora, ser gauche na vida!"
No escritório vejo as moças passarem:
Saias brancas, blusas floridas.
"Para que a mesma paleta de cores, meu Deus?" - me pergunto,
E minha lucidez me responde de imediato.
Meu Deus, por que me abandonaste,
se sabias que eu não era classe média,
se sabias que eu seria mais uma fora do padrão?
Mundo, Estado, vasta cidade;
Se eu mudasse de escala seria uma saída temporária, não uma solução.
Quarto, bairro, de empresa em empresa:
Mais vasta é a minha insatisfação.
Eu não devia me por assim,
mas esse país,
mas essa conjuntura,
botam a gente deprimida como o Diabo.
______________________________
/// Poema de las Cinco Interfaces
Cruzo la Noche junto con Drummond.
Cuando casi me enloquecí,
Un analista de esos que simplifican todo, me dijo:
"¡Andá, Flora, a ser gauche en la vida!"
En la oficina veo las chicas que pasan:
Faldas blancas, remeras floridas.
"¿Para qué la misma paleta de colores, Dios?" - me pregunto a mí,
Y mi lucidez de pronto me contesta.
Dios, ¿por qué me abandonaste,
Si sabías que yo no era de clase media,
Si sabías que yo iba a ser otra más al margen?
Mundo, Estado, vasta ciudad;
Si yo cambiara de escala sería una salida temporaria, no una solución.
Habitación, barrio, de oficina en oficina:
Más vasta es mi insatisfacción.
No debría ponerme así,
Pero este país,
Pero está coyuntura,
Nos pone deprimidos como un Diablo.
02/01/2019 - São Paulo, Brasil
Atravesso a Noite com Drummond.
Um analista desses que simplificam tudo, me disse:
"Vai, Flora, ser gauche na vida!"
No escritório vejo as moças passarem:
Saias brancas, blusas floridas.
"Para que a mesma paleta de cores, meu Deus?" - me pergunto,
E minha lucidez me responde de imediato.
Meu Deus, por que me abandonaste,
se sabias que eu não era classe média,
se sabias que eu seria mais uma fora do padrão?
Mundo, Estado, vasta cidade;
Se eu mudasse de escala seria uma saída temporária, não uma solução.
Quarto, bairro, de empresa em empresa:
Mais vasta é a minha insatisfação.
Eu não devia me por assim,
mas esse país,
mas essa conjuntura,
botam a gente deprimida como o Diabo.
______________________________
/// Poema de las Cinco Interfaces
Cruzo la Noche junto con Drummond.
Un analista de esos que simplifican todo, me dijo:
"¡Andá, Flora, a ser gauche en la vida!"
En la oficina veo las chicas que pasan:
Faldas blancas, remeras floridas.
"¿Para qué la misma paleta de colores, Dios?" - me pregunto a mí,
Y mi lucidez de pronto me contesta.
Dios, ¿por qué me abandonaste,
Si sabías que yo no era de clase media,
Si sabías que yo iba a ser otra más al margen?
Mundo, Estado, vasta ciudad;
Si yo cambiara de escala sería una salida temporaria, no una solución.
Habitación, barrio, de oficina en oficina:
Más vasta es mi insatisfacción.
No debría ponerme así,
Pero este país,
Pero está coyuntura,
Nos pone deprimidos como un Diablo.
______________________________
02/01/2019 - São Paulo, Brasil
O Sonho da Vida Própria
/// O Sonho da Vida Própria
Os prédios no horizonte
sólidos e unidos, parecem eternos:
não importa o quão jovem são
segundo o consenso arquitetônico.
Sólidos, unidos, e, aparentemente, eternos.
Neles se iniciam os sonhos, e
neles se encerram os ciclos e
desejos de vidas urbanas.
Aos quase trinta,
me questiono o que nunca fiz antes:
devo casar ou comprar uma passagem de avião?
________________
02/jan/2019 - São Paulo, Brasil
Os prédios no horizonte
sólidos e unidos, parecem eternos:
não importa o quão jovem são
segundo o consenso arquitetônico.
Sólidos, unidos, e, aparentemente, eternos.
Neles se iniciam os sonhos, e
neles se encerram os ciclos e
desejos de vidas urbanas.
Aos quase trinta,
me questiono o que nunca fiz antes:
devo casar ou comprar uma passagem de avião?
________________
02/jan/2019 - São Paulo, Brasil
12.11.18
Oficina
/// Oficina
Tédio na oficina
É oficina de quem?
________________
12/nov/2018 - São Paulo, Brasil
Tédio na oficina
É oficina de quem?
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12/nov/2018 - São Paulo, Brasil
9.11.18
Valores
/// Valores
O que vale a vida hoje?
Oito pães de queijo na promoção?
Um fone de ouvido na saída do trem?
100 MB de internet?
Uma passagem com integração?
Vale mais que dinheiro?
Vale a vida longe do dinheiro?
Uma caixa lotada de e-mails?
Café, cappuccino e água à vontade?
Um prêmio de reconhecimento?
Vale tanto quanto a idade?
Existe vida sem capital?
Existe capital sem vida?
Quanta vida temos ainda?
_________________________
06/nov/2018 - São Paulo, Brasil
O que vale a vida hoje?
Oito pães de queijo na promoção?
Um fone de ouvido na saída do trem?
100 MB de internet?
Uma passagem com integração?
Vale mais que dinheiro?
Vale a vida longe do dinheiro?
Uma caixa lotada de e-mails?
Café, cappuccino e água à vontade?
Um prêmio de reconhecimento?
Vale tanto quanto a idade?
Existe vida sem capital?
Existe capital sem vida?
Quanta vida temos ainda?
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06/nov/2018 - São Paulo, Brasil
Pílulas de Pandora
/// Pílulas de Pandora
Visitas, encontros ou sessões.
O peso puritano é uma manta.
São só desejos?
Sou também compromissos?
Escolho os rituais e as alianças?
Sei mesmo da pureza do instinto?
Como me desvelo?
Como me cubro?
A imagem: é uma Caixa.
E há um véu sobre ela.
Perguntas, rodeios e mais perguntas.
Mas o cerne concerne a ação:
Como encontrar a ponta do véu,
E a força pra abertura?
_______________
09/nov/2018 - São Paulo, Brasil
Visitas, encontros ou sessões.
O peso puritano é uma manta.
São só desejos?
Sou também compromissos?
Escolho os rituais e as alianças?
Sei mesmo da pureza do instinto?
Como me desvelo?
Como me cubro?
A imagem: é uma Caixa.
E há um véu sobre ela.
Perguntas, rodeios e mais perguntas.
Mas o cerne concerne a ação:
Como encontrar a ponta do véu,
E a força pra abertura?
_______________
09/nov/2018 - São Paulo, Brasil
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