26.6.19

Impermanente

/// Impermanente

É fio frágil no Tempo
A cama quente,
A oração,
O riso de quem eu amo.

O cigarro que se vai,
Um perfume,
O dinheiro que vem,
O abraço de um amigo.

A esperança dentro do sonho ou
O sonho dentro da esperança.
- Formam o chão.

Fio frágil no Tempo.

É que, hoje, tenho dentes,
Hoje, vou na gira pra me acalmar,
Hoje, tenho vinho e
A voz de quem eu amo.

Mas só por hoje existe chão.

_____________________________

Impermanente

Es hilo frágil en el Tiempo
La cama cálida,
La oración,
La risa de la persona que amo.

Una mirada que se va,
Un perfume,
La plata que viene,
El abrazo de un amigo.

La esperanza dentro del sueño o
El sueño dentro de la esperanza.
- Forman el suelo.

Hilo frágil en el Tiempo.

Es que, hoy, tengo dientes,
Hoy, voy a la gira para calmarme,
Hoy, tengo vino y
La voz de quien amo.

Pero solo por hoy hay suelo.

_____________________________

25/jun/19 - São Paulo, linha azul

24.6.19

A Enchente | La Crecida

/// A Enchente

Foi um mês de enchente.
Uma enxurrada lavou,
Mas também sujou.

Agora, recolho
O que a água levou.
Olho os restos,
E não consigo reconhecer nada.

Parece espera,
Parece esperança,
Parece brilho nos olhos
Diante daquele quadro intrigante que vi.

É que, outra vez, a correnteza veio forte.

Agora, para poder voltar a ver,
Vou botar no Sol.

________________________________

/// La Crecida

Fue en mes de inundación.
Una crecida que lavó,
Pero que también ensució.

Ahora, recojo
Lo que el agua se llevó.
Miro a los restos,
Y no puedo reconocer nada.

Parece espera,
Parece esperanza,
Parece brillo en los ojos
Frente a aquel cuadro intrigante que vi.

Es que, otra vez, la corriente se vino con todo.

Ahora, para poder volver a ver,
Voy a dejarlo al Sol.

24/06/2019 - Mente & Matéria: São Paulo, Brasil

4.6.19

Tiempo, pase, por favor.

/// Tiempo, pase, por favor.

Evito preguntarle al Tiempo
Qué seremos en tres, cuatro días
Qué sentiremos en el pasar de semanas y vidas.

Evito preguntarle al Tiempo
Cuánto y cómo esperar.

Calmo el temor, el temblor, la ansiedad y los desgastes internos
Con tragadas calculadas
De este pucho que me salvó
De mi partida desde Ezeiza, con gusto a hasta luego.

Evito, evito, evito
Y lo pregunto.

________________

04/jun/2019 - Mente: Buenos Aires, Argentina; Materia: São Paulo, Brasil

3.4.19

Dos Poetas

/// Dos Poetas

A miséria e a desilusão já não são
Interpretações anacrônicas de poetas mortos:
Agora elas ficam para dormir.

Poetas são seres alcalinos no mundo,
Que filtram e guardam
A escuridão da humanidade.

A garantia do poeta é o
Trunfo do desprezo e da incompreensão.
A ingratidão da posteridade,
Por um presente solitário.

Poetas habitam o fundo, debaixo do tapete.
Poetas são quase ácaros.

E agora sim eu sou poeta: porque
Vivo minha própria miséria, e minha própria época.
Não há tempo para sublimar em
Rimbauds, Baudelaires, e outros malditos.

________________

02/abr/2019 - São Paulo, Brasil